Maldito seja Wellington Srbek, por cumprir o que prometeu: o número sete de “Caliban” é o último capítulo da série: e traz os dois últimos capítulos das histórias do super-herói Solar. Na própria edição, o quadrinista anuncia que abandona estes dois projetos para poder levar outros à frente – ou seja, o leitor não vai perder nada, apenas mudar de endereço: mas que “Caliban” e Solar vão deixar saudades, lá isso vão.
A última história de Solar (que a revista informa ser a síntese de uma das sagas que Srbek planejava para o herói) é a de elaboração mais sofisticada em toda a trajetória da personagem. A diagramação expressiva concede dinâmica à narrativa, o roteiro manipula muito bem seu aspecto de conto intertemporal, os desenhos ganham com o choque entre imagens saturadas de detalhes e outras completamente limpas. Se era pra despedir, pelo menos Solar teve um adeus à altura.
O ponto alto da revista é a “Estória de Onça” escrita por Srbek e desenhada (a cores!, todo o resto de todas as “Calibans” foi em p&b) pelo já clássico Flávio Colin, sempre com seu estilo inconfundível em rostos expressivos que integram imagens que parecem ter função simultaneamente narrativa e plástica. “Caliban” traz ainda entrevistas com o próprio Colin, Celton e Júlio Shimamoto.