"ESTÓRIAS GERAIS" CHEGA E ENRIQUECE O CENÁRIO DA HQ

Alécio Cunha, jornal Hoje em Dia, Agosto de 2001

Desde 1998, o historiador e roteirista de quadrinhos mineiro Wellington Srbek sonhava com a publicação do que considera seu melhor trabalho. “Estórias Gerais”, com desenhos do veterano Flávio Colin. A inspiração dos artistas é a vasta fisionomia do sertão, não só o do mineiro João Guimarães Rosa.

“Não é uma adaptação de “Grande Sertão: Veredas”. Nem só de Guimarães Rosa se faz o trabalho. Há também Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Sérgio Buarque de Hollanda, Euclides da Cunha”, observa o roteirista. “No começo, eu tive a idéia de começar a história com um jornalista perdido no sertão e encontrando um grupo de jagunços. Esta foi apenas uma das histórias, cujos personagens acabaram se misturando. Gostei tanto de alguns deles que tive enorme dificuldade para matá-los”, brinca Srbek.

O contato com Flávio Colin, um dos mais renomados desenhistas de quadrinhos do Brasil, foi intensificado pela revista “Mirabilia”, com histórias desenhadas por Colin, Júlio Shimamoto, Mozart Couto, Klévisson e Nilson. “Sempre adorei o trabalho de Colin. Mandei as histórias e ele as foi desenhando aos poucos. Colin gostou muito do resultado final”, afirma Srbek.

No momento em que lança “Estórias Gerais”, o roteirista comemora o prêmio HQ Mix de melhor revista de ficção e de aventura do ano passado. O troféu, o mais importante no cenário da HQ latino-americana contemporânea, é considerado uma espécie de “Oscar” do setor. “Estou muito feliz com o prêmio, que é um reconhecimento para quem aposta na criação de quadrinhos de qualidade no Brasil”, comenta Srbek.

Srbek continua elogiando o talento do desenhista Flávio Colin. “Nesta travessia, ele foi mais do que um parceiro e companheiro, foi também outra fonte de inspiração. Esta narrativa foi concebida para o traço único de Flávio. Não haveria outro desenhista para esta história. Cada página e cada seqüência foram imaginadas para serem realizadas nos desenhos deste mestre”, explica.

O roteirista lembra também das dificuldades para que o trabalho fosse editado. “Eu fui aprovado na lei estadual de incentivo à cultura, mas não consegui captar os recursos. O livro saiu através do fundo de incentivo da Secretaria Municipal de Cultura”, conta. Além das barreiras de patrocínio, Wellington Srbek salienta que existem dificuldades para se furar um bloqueio de divulgação e distribuição em torno do quadrinho nacional.

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