VEREDAS E RAÍZES

Wellington Srbek

A história de Estórias Gerais começa em outubro de 1997. Na época, eu concluía o curso de História na UFMG, trabalhava como crítico de quadrinhos para um jornal de Minas Gerais e produzia a revista Caliban.

Após quatro anos praticamente só lendo textos teóricos para a graduação, eu estava louco para voltar a ler literatura. Por algum motivo, um livro em especial me vinha à mente, Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa. Comprei meu exemplar numa loja do Centro de BH e depois de ler a palavra “Nonada” não consegui mais parar...

Bom, para ser mais exato, fiz uma pequena pausa lá pelo fim do livro. Não porque estivesse cansado ou não estivesse simplesmente adorando cada palavra que lia. Justamente pelo contrário, porque o volume de páginas a serem lidas minguava assustadoramente, resolvi interromper a leitura. A verdade é que eu não queria que o livro chegasse ao fim.

Decidi aproveitar aquela “pausa” para ler mais clássicos da literatura brasileira, e as obras escolhidas foram Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto e O Auto da Compadecida de Ariano Suassuna. Depois dessas leituras, retornei para finalizar minha travessia de Grande Sertão: Veredas. Naquele ponto, não havia mais escapatória: eu tinha que criar uma história em quadrinhos!

Os elementos fundamentais já estavam postos: um universo ficcional de jagunços e senhores de terras e a simbologia poética do Brasil interior. A eles se somariam a reflexão histórica motivada pela leitura de Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Hollanda e a representação da vida popular presente nas canções de Luiz Gonzaga. Não faltariam também ecos mais distantes de coisas que eu assisti na tevê, como O Bem Amado, Gabriela, Lampião, Roque Santeiro, O Tempo e o Vento.

Tão-logo comecei a pensar na nova história, o traço de Flavio Colin surgiu como a única opção. Não haveria outro desenhista para ela! Já tínhamos conversado sobre a possibilidade de trabalharmos juntos, e quando lhe expliquei minha idéia para o álbum, ele se interessou muito. Com a remuneração que recebia pelos textos de crítica de quadrinhos, pude fazer uma boa proposta financeira e Colin aceitou produzir os desenhos de Estórias Gerais.

Após fazer uma pesquisa contextual sobre o Sertão, em livros e documentários, e ter visitado a Hemeroteca de Belo Horizonte, onde li jornais da década de 1920, em janeiro de 1998 mergulhei na produção do primeiro roteiro. Ali começava uma das maiores aventuras de minha vida, e você pode descobrir como ela continua visitando o roteiro de uma estória

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