SRBEK LANÇA A HQ “FANTASMAGORIANA”

Daniel Barbosa, O Tempo, Dezembro de 2001

Ao que parece, o roteirista e editor de quadrinhos Wellington Srbek chegou ao final deste ano tomado por uma compulsão criativa. Menos de um mês depois de lançar sua última publicação - o álbum "Quantum", em parceria com Fernando Cypriano, Leonardo Muniz e Luciano Irrthum - ele acaba de finalizar "Fantasmagoriana".

Com roteiro de Srbek e desenhos de Flávio Colin (os dois haviam trabalhado juntos no álbum "Estórias Gerais", que precedeu "Quantum"), a história que dá título à revista é ambientada em uma pequena cidade barroca do interior de Minas Gerais e costura televisão, história do Brasil e, claro, fantasmas.

Srbek conta que tinha um esboço do roteiro na cabeça há cerca de dois anos, mas faltavam alguns pontos a serem resolvidos. "A história tem uma certa influência de 'O Sétimo Selo', do Ingmar Bergman, aquela coisa da dança da morte. Esse imaginário mais a questão da cultura popular foram meus pontos de partida. O problema é que eu estava envolvido em outros projetos, então não tinha tempo, e também faltavam alguns elementos na trama. Um desses elementos foi uma reportagem que vi sobre uma menina que se vestia de noiva e saía andando pelas ruas de Belo Horizonte para expressar seu amor pelo cantor Daniel", diz.

Essa reportagem deu a Srbek a idéia do protagonista, um repórter de TV, e do drama da Noivinha, outra personagem central da trama. Ele conta que também faltava achar o ambiente ideal em que a história se passaria para executar o roteiro. " A principio seria Ouro Preto, mas precisei ir a Sabará e na hora vi que aquele seria o modelo de cenário, principalmente por causa da igreja de Nossa Senhora do Rosário, que é inacabada e tem aquele ar fantasmagórico", conta.

Sobre a escolha de Flávio Colin para realizar a história, Srbek diz que não hesitou em chamá-lo. "Entrei em contato e ele topou na hora, porque já trabalhamos juntos, mas também pela questão financeira. Aqui tem dessas coisas: ele é o maior artista de quadrinhos do Brasil e vive de fazer bicos, sempre numa situação difícil", diz.

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