SRBEK PÕE EXPERIÊNCIA PESSOAL EM “QUANTUM”

Daniel Barbosa, O Tempo, Dezembro de 2001

Quadrinista volta com nova publicação que traduz seus traumas e vivências pessoais no traço de três ilustradores

Depois de um passeio pela cultura popular nos quadrinhos de "Estórias Gerais", o roteirista e editor Wellington Srbek parte de experiências pessoais para projetar a modernidade em sua nova publicação, o álbum "Quantum". A história, dividida em três partes distintas, cada uma assinada por um desenhista, tem como protagonista o desenhista Pedro de Andrade, que, na verdade, é o próprio Srbek. A primeira parte, intitulada "A Miséria da Filosofia", apresenta o traço do estreante Fernando Cypriano. A segunda, "Like a Rolling Stone", é ilustrada por Leonardo Muniz e a terceira, chamada "15 Minutos de Fama", tem a assinatura de Luciano Irrthum.

"A motivação inicial dessa história foi o fim de um namoro. Parti da minha vida pessoal, num momento em que as coisas pareciam estar desabando, para projetar o mundo moderno, em que tudo também parece estar desabando. Pedro, o personagem central, se parece comigo. Ele tem alergia, como eu, e perdeu a namorada. A primeira história tem um traço mais realista e o Cypriano aproveitou para fazer o Pedro a minha cara", diz Srbek. Ele conta que, com "Quantum", dá seqüência a um projeto que começou com "Estórias Gerais" e que visa movimentar o cenário das HQs na cidade.

No roteiro, filosofia e cultura pop

As primeiras cenas de "Quantum", com o protagonista abatido pela perda da namorada, são apenas o ponto de partida para um roteiro que visita a filosofia, a física, universos paralelos, a televisão, a cultura pop e tem, entre os personagens secundários, Baudelaire, Marx, Nietzsche e Freud, no primeiro capítulo, a pedra do poema de Drummond, no segundo, e o diabo apresentador de um programa de auditório, no terceiro.

Srbek conta que chamou desenhistas diferentes para assinar cada um dos três roteiros de "Quantum" com o intuito de evidenciar a distinção dos movimentos da história. "Nessa revista, quis trabalhar com quadrinistas jovens e pensei nesses três nomes. O Cypriano foi o último que conheci e, como eu já estava pensando no roteiro da "Quantum", achei que o traço dele tinha tudo a ver para começar a história. O Muniz e o Irthum também aceitaram imediatamente o convite. Entreguei o roteiro e um esboço da história e eles começaram a trabalhar em cima", diz.

Para Srbek, o grande problema de quem produz histórias em quadrinhos atualmente é a distribuição. "No início dos anos 90, a gente fazia HQs e não tinha como publicar. A partir de meados da década, com o avanço de algumas ferramentas de computação e com as leis de incentivo, ficou mais fácil editar as revistas".

Mas observa: "o que ainda é muito difícil é fazer com que ela chegue ao leitor. Uma saída, que tenho adotado, é fazer em formatos mais próximos de livros, aí dá para colocar em livrarias. As lojas especializadas em quadrinhos e agências de revistas também são canais de distribuição", diz.

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