| DA “VERSÃO APÓCRIFA” À VERSÃO DEFINITIVA
Wellington Srbek
Em 2004, Solar completou 10 anos de sua criação. Por gostar do conceito do personagem e achar que ele merecia histórias mais bem-construídas, decidi trabalhar numa reformulação. Em novembro daquele ano, comecei a bolar uma história que recriaria o herói, tendo como pano de fundo elementos de xamanismo e magia. O resultado final, alcançado em dois meses de trabalho, foi um roteiro dividido em 7 capítulos, com um total de 98 páginas de quadrinhos (que acabaria se tornando o que chamo hoje de “Solar: Versão Apócrifa”).
Nessa versão alternativa, criada na passagem de 2004 para 2005, o nome de Solar passou a ser Gabriel Ribeiro, pois ele e sua mãe, Sofia, não tiveram que se separar logo após seu nascimento (como acontecia na versão original, na qual ele tinha pais adotivos). Outra mudança é que o personagem seria mais jovem (tendo 21 anos, e não 27) e não estaria casado ainda com Cristiane (que seria sua namorada, e não sua esposa como na primeira versão). A reformulação também contaria com a participação do pai de Gabriel, o aroe Uiraçu, e traria um personagem novo que faria as vezes de vilão: o mago Basílio.
Com o roteiro praticamente pronto, decidi dar andamento ao projeto. No início de 2005, um amigo desenhista começou a trabalhar nas páginas da reformulação. Contudo, após desenhar os dois primeiros capítulos, ele teve que deixar o projeto, devido a compromissos pessoais. Pouco tempo depois, assumiu um novo desenhista que me pediu para trabalhar na reformulação e que, pelas diferenças nos estilos de desenho, teve que partir do zero. Nos dois primeiros capítulos tudo correu bem. Mas a partir do terceiro começaram atrasos e houve perda de qualidade nas páginas, o que se repetiu no quarto capítulo.
Para piorar, enfrentando problemas pessoais, o desenhista abandonou o projeto no início de 2006, deixando-me com um trabalho inacabado e um considerável prejuízo financeiro. Afinal, não seria viável que outro desenhista continuasse a HQ de onde este último havia parado (por questões de diferenças de estilo); e pela própria estrutura de meu roteiro, não seria possível publicar apenas o que já estava pronto (pois ficaria uma trama pela metade). Com tudo isso, o fato é que possivelmente as dezenas de páginas finalizadas do que passei a chamar de “Solar: Versão Apócrifa” jamais serão publicadas.
Muito chateado, cheguei a quase desistir do projeto. Mas, pouco tempo depois, para “exorcizar” a raiva que tinha passado, resolvi debruçar-me novamente sobre a reformulação de Solar. O resultado foi que, ao longo de 2007, acabei reescrevendo e redesenhando a maior parte do roteiro. Era hora então de reiniciar a busca por um desenhista. O primeiro que apareceu desenhou uma página e sumiu do mapa. Um segundo fez ótimos estudos de personagens, mas não chegamos a um acordo quanto a prazos e valores. Passado algum tempo, veio um terceiro que, após três meses, acabou não produzindo nada.
Nesse ponto, a reformulação de Solar já havia se tornado uma verdadeira “novela”. Mas então, no início de 2008, conheci o desenhista Rubens Lima, que tinha lido o Solar original quando adolescente e ficou interessado em trabalhar comigo na reformulação. Acertados os valores e prazos, ele começou a trabalhar nos estudos de personagens e nas primeiras páginas. E assim, após 4 anos de persistência, a reformulação de Solar finalmente ficou pronta. Na versão definitiva, o personagem se chama Gabriel Ribeiro e trabalha como programador visual, tem cerca de 27 anos e é casado com Cristiane Villas Bôas. Sua mãe Sofia e seu pai Uiraçu também têm uma participação importante na trama.
Em essência, é o mesmo personagem, porém, os roteiros estão mais concisos que nas versões anteriores e o caráter cultural e simbólico do personagem foi ressaltado. Isso sem falar nos desenhos marcantes do Rubens (que deram um novo visual ao herói, que inclui até um símbolo xamanístico do Sol tatuado no peito). No fim, todo o trabalho e as chateações parecem ter tido um propósito, que foi o de me levar a fazer um trabalho de qualidade superior, no qual Solar possa realmente alçar vôo, de forma definitiva.
Para saber como foram feitas as HQs do novo Solar, clique aqui.

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